domingo, 20 de março de 2011

Escuridão


By: Monica Blue

Não existe nada que eu possa dizer para você compreender o que se passa por dentro de mim. O que eu aprendi, o que eu sei, porque eu me deixei ir. Talvez seja cedo demais para entender.

Eu serei algum dia um vento passageiro que balança flores e faz borboletas voar. Quem sabe um dia eu viva para sempre.

Eu conseguirei entender o que dói tanto em mim, o que rasga por dentro como uma lâmina afiada me fazendo perder o fôlego e chorar tanto.

E se eu caísse em um precipício bem fundo? Você estaria lá para ver o quanto fundo eu cairia? Ou estaria lá para me salvar com suas asas? Impediria que eu pulasse?

Simplesmente não consigo dormir, nem consigo saber o que dizer, porque tudo que tinha dentro de mim eu perdi por culpa própria. Não há mais nada só o vazio.

Esperanças, sonhos, desejos todos se foram com a chuva escorrendo pelas ruas para os bueiros.

Agora eu sou apenas um corpo estranho caminhando e respirando. Sem rumo como algum zumbi sem comer cérebros.

Queria apenas ser como antes, quando acreditava em sonhos e borboletas.

Mas isso parece perdido para sempre. Um sorriso mentiroso brota em meus lábios enquanto brilho falso engana em meus olhos.

Será que ficarei bem algum dia?

Toda a minha vida eu só quis ser o melhor para tudo e todos, mas de que adiantou? O que eu sou? O que eu consegui? Um mundo que não me encaixo que me sinto a mulher invisível.

Ninguém pode ouvir o som de um coração dilacerado, de sonhos partidos e quebrados.

Alguém se importa com o que eu sinto dentro de mim?

Você pode ouvir quando eu choro sozinha de tristeza?

Há algum jeito de fazer um acordo com Deus para arrancar essa dor de mim?

Se houvesse eu faria.

Assim nada poderia me ferir, nem mentiras, nem falsas promessas.

Os trovões fazem barulhos, mas nada me assusta mais do que o silêncio da sua ausência.

Não me importo, não quero mais mentiras, nem sorrisos mentirosos, palavras falsas ou pessoas para me usem. Apenas porque eu quero ser boa demais. E não sei dizer não.

Não tenho medo de nada, nem de ventanias soltas nem mesmo de você me fazer infeliz.

Só quero me transformar em um vento e voar por aí.

Ninguém pode compreender uma alma quando ela se perde na escuridão.

Onde está meu anjo agora enquanto eu morro por dentro? Assiste tudo em silêncio? Ou está ocupado demais em alguma missão?

Eu me degrado, me distorço, me distancio cada vez mais da luz. Melhoro por fora e deterioro por dentro.

Há alguma forma de sentir alguma paz novamente, ou algum sentimento dentro de mim que não seja trevas?

Ainda existirá um fio de mim dentro da minha alma?

Algum raiozinho de luz?

Nenhum comentário: