terça-feira, 27 de novembro de 2012

Diamante vermelho


Para quem sentiu saudades dos meus contos aí vai um quentinho. 
Música de inspiração: Diamonds - Rhianna
Versão cover: http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=DYDLvQxz3Xk&feature=endscreen
Espero que curtam.

Beijinhos azuis.

Diamante vermelho

De: Monica Lopes




Ele sentiu os olhos vermelhos dela pesando sobre suas costas largas, queimava, ele nem precisava pensar muito em quem estaria ali naquele momento. O público gritava e se agitava enquanto a banda tocava sua música quase uma balada. Ele olhou o copo vazio no balcão e fez sinal para o barman, pediu mais uma dose. Embora litros não fizessem efeito, mas aquele poderoso olhar cortava-lhe a alma. Fechou os olhos imaginando-o frente a frente. Ela dissera que nunca mais o procuraria, mas ele estava enganado em acreditar em sua promessa, sentia a presença dela. Bastava que estivesse na mesma cidade, quanto mais em um ambiente fechado como aquele, sentia seu cheiro, sua energia, seu poder,  compartilhavam do mesmo sangue correndo em suas veias.
Sem conseguir agüentar mais a tentação, Victor virou-se calmamente, o corpo grande, pomposo, nem percebia as jovens que sorriam implorando por pelo menos um olhar daqueles grandes olhos acinzentados. Mas, esses olhos já tinham um foco, um alvo, um par de olhos vermelhos, diamantes inestimáveis que faziam com que todo seu corpo forte se tornasse vulnerável.
Ela sendo notada sorriu maliciosamente, colocando a franja grande atrás da orelha, caminhava lentamente em direção a ele. Parecia tão frágil! Sabia que sua presença era inesperada e ela gostava disso, sentia-se bem em desafiá-lo, estava indo contra suas próprias regras, mas não sabia viver longe dele. Sempre disseram que vampiros eram frios, mas ele não, era quente como uma fogueira em uma noite de luar.
- Como está Victor? – perguntou olhando no fundo daqueles olhos acinzentados.
- Não tão bem quanto você. Estou surpreso em vê-la aqui. – disse soltando um meio  sorriso.
- Algumas vezes temos que deixar o desejo mandar. – respondeu olhando-o firmemente.
- Aceita beber algo?
- Pergunta retórica ou está se oferecendo? – disse soltando uma gargalhada aproximando seu corpo ao dele.
- Apenas gentileza. Disse que não me procuraria mais...
- Nunca ouviu dizer que mulheres mudam de opinião? Estava por perto e resolvi fazer uma visita a um velho amigo.
- Amigo...
- Sim, sempre seremos amigos. – ela disse convicta.
- Pensei que fôssemos mais que isso.
- Não podemos ser mais que isso, você sabe disso.
- Por que não?
- Você sabe... – disse desviando o olhar rubro.
A banda começou a tocar uma música conhecida e que ela adorava, puxou-o pela mão que cabia três da dela dentro.
- O que está fazendo? – ele perguntou.
- O que acha? Vamos dançar juntos.
- Sabe onde isso vai acabar. – ele disse confuso.
- Não me importo, vim por você.
Ela colou seu corpo ao dele, como se fossem um, encostou sua testa no queixo dele, como tinha sonhado com aquele momento, sempre quis mais do que possível, mas não podia se prender a ele pela eternidade, tinha suas coisas a fazer. Ele era metódico e melancólico, não era muito dado a mudanças. Ao contrário dela que necessitava de novas coisas, novos desafios. Ela fechou os olhos e ficou sentindo o calor que exalava daquele corpo másculo, aqueles cabelos negros como a noite, em um penteado pra cima, na moda. Ele sempre seguia a moda. Ele não imaginava o quanto ela o desejava, mesmo que por um momento, o momento. Porque cada um era único. Não queria mostrar seus fortes sentimentos, era melhor não se apegar, não deixar que ele percebesse que ela sentia o sangue dele correndo em suas veias todas as noites.
O cheiro que ela exalava era inebriante, ele não conseguia se controlar, parecia estar perdido em algum sonho onde tudo era quente e romântico. Acariciou os longos cabelos negros dela. Parecia que a noite a cobria, apesar do vestido vinho e os lábios da mesma cor. Não quis perguntar nada, sabia que ela se esquivava das perguntas como ele se esquivava das espadas. Se bem que ela era sua espada mais perigosa, pois atravessava seu coração. A excitação do momento era tanta que ele não agüentava mais, queria perguntar por quanto tempo ela ficaria dessa vez, mas ela percebendo a excitação sabia que ele perguntaria isso e colocou o dedo nos lábios dele, impedindo-o de fazer a pergunta, depois aproximou seus lábios ao dele.
- Vamos dar uma volta. – ela disse puxando-o pela mão.
Ele não sabia quanto tempo agüentaria. Todo seu corpo clamava por ela: pelo seu corpo, pelo seu  gosto, pelo seu sangue. Chovia. Os pingos frios caíam em seus corpos, mas o calor do desejo vencia o frio, ele não agüentando mais de tanto desejo empurrou-a na parede e começou a beijá-la ardentemente. Aos poucos ela foi cedendo amolecendo o corpo, misturando-se com ele e tornaram-se um só, ele a mordeu, sentindo seu gosto, o gosto do seu sangue rubro, seu diamante vermelho. Ela entregou-se completamente a ele, tomando as atitudes, ele puxou-a pela mão até chegar em sua casa. Próxima dali. Queria-a só para ele, seus corpos molhados e quentes foram tirando a roupa, ficando apenas seus corpos nus e quentes. Enquanto a mordia e era mordido Victor sabia que aquele momento era único e aproveitou cada minuto de Lya em seus braços. 
Após o êxtase dormiram abraçados, ambos sentindo-se completos e não mais um solitário eterno. Ele adormeceu e ela ficou deitada em seu peito ouvindo sua respiração. Tudo o que desejava era ficar ali até o fim de sua vida, mas tinha outras prioridades do que o seu desejo, precisava ser forte o suficiente para separar-se dele novamente. Levantou-se e vestiu-se. Deu mais uma olhada naquele corpo perfeito completamente adormecido e sentiu uma lágrima escorrer pelo seu olho, uma lágrima rubra, como seus olhos.  Fechou as cortinas escuras para que o sol não perturbasse o sono de seu grande amor. Por um breve momento ficou em dúvida entre ficar ou ir, mas a missão a chamava, um dia poderiam ficar juntos para sempre. Um casal imortal, agora não. Não resistindo foi até ele e pousou-lhe os lábios nos lábios dele, agora mais frios do que antes. Tirou um colar com uma pedra de rubi pendurada do pescoço. Escreveu um bilhete e deixou ambos na mesa de cabeceira.
Abriu a porta e entre ir ou ficar, foi, deixando seu amor para trás mais uma vez. Foi embora rapidamente o sol não tardava em aparecer e ela precisava de um lugar para se abrigar.
Victor abriu os olhos e sentou-se na cama, ela não estava mais lá. Sabia que ela faria isso, como as outras vezes. Esmurrou o travesseiro, perguntou-se porque se deixou vencer pelo cansaço e desmaiou, tinha que ficar alerta e pedir para ela ficar. Tentaria, talvez conseguisse convencê-la desta vez. Viu sobre a mesa o colar dela e o bilhete, pegou um em cada mão e sentou-se na cama.
“Foi ótimo, deixei meu bem mais precioso, volto para buscá-lo.”
Ele olhou para aquela pedra vermelha, lembrou-se imediatamente dos olhos dela. Será que essa pedra era seu bem mais precioso? Teria que esperar a próxima vez que ela resolvesse aparecer para buscar seu diamante vermelho.

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