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sábado, 27 de novembro de 2010

CONTO 1 - VIRGINIA

A partir de hoje, postarei contos que fazem parte de uma história com alguns personagens novos. Com a ajuda da minha amiga Bruna, pretendemos todos os sábados postarmos um novo conto, uma nova aventura para a feiticeira/vampira Virgínia e seus amigos do Instituto. Quem são esses? Logo conhecerão. O primeiro conto é da Virgínia e sábado que vem uma nova surpresa e assim por diante.
Todos os contos ficarão na página contos (provisoriamente) até que o site esteja pronto definitivamente. Onde a história ficará arquivada corretamente.

Espero que gostem e assim como gostaram da Nina e seus amigos, comecem a curtir essa outra galera.

NÃO DEIXE DE COMENTAR, sua opinião é muito importante.

Beijos no coração e ótimo final de semana!


****

INSTITUTO

CONTO 1

VIRGÍNA DEMOLEY


Vitrey – França
27 de agosto de 1572
07:48 pm
Noite de São Bartolomeu

“Não permitirás que viva uma feiticeira.”
(Êxodo – Cap. XXII – Versículo XVIII)

Os segundos se arrastavam como bolas de canhão. As madeiras verdes queimavam lentamente prolongando o sofrimento enquanto Virgínia DeMoley tentava manter-se protegida da dor em seu inconsciente. Sentia o calor que começava em seus pés e a envolvia lentamente derretendo a sua pele branca e sensível. Ouvia o crepitar do fogo como se cantasse e dançasse em sua volta. Recusava-se a abrir os olhos, assim sua mente ficava intacta. O som abafado e falado em uníssono ecoava em sua mente: “Queime bruxa. Seu lugar é o inferno.” Esse era o prêmio por ter salvo a vida de uma criança, porém fez sua parte e faria de novo se fosse preciso. Seguia a grande Mãe e morreria seguindo-a.
O som das vozes deram lugar a gritos desesperados, fazendo com que despertasse do transe, mas não abrisse os olhos. Sentiu quando as cordas se afrouxaram e um vento gelado sussurrou em seu ouvido: “Santa inquisição! – disse sarcástica. - Acorde Virgínia, vamos sair daqui.”
Abriu os olhos deparando-se com uma mulher de aparência bem jovem, cabelos negros cacheados caindo sobre os ombros e costas como uma grande cascata negra, olhos vivos e lábios vermelhos, pele muito branca.
- Margot? – Balbuciou enquanto sentia seu corpo cair no colo rígido dela, dessa vez sentindo um alívio na alma.
- Você ficará bem, tente manter-se consciente. Logo estaremos em segurança. - ela disse com a voz melodiosa e sarcástica de sempre.
Margot apoiou a feiticeira, passando-a aos braços de seu fiel amigo Lefroy, enquanto os outros que ela trouxe assustavam os últimos camponeses que se aproximavam. Os guardas e os inquisidores estavam pelo chão, espalhados em poças rubras.
Ela quis explicar que ficar consciente era sentir a dor insuportável, as palavras morreram em sua garganta e logo não ouvia mais a voz dela. Era apenas Virgínia e os campos verdes de Toulousse, sua terra natal.
Quando voltou a ouvir a voz de sua salvadora estavam em um local seguro.
- Estamos seguras aqui, você ficará bem, mas terá que confiar em mim e fazer o que eu mandar.
- Sim. – Ouviu a própria voz como se fosse de outra pessoa.
- Seu estado é crítico, as queimaduras foram profundas, nenhuma poção será capaz de recuperar a carne e a pele que derreteram, algumas partes estão no osso, precisamos tomar medidas extremas para fazê-la sobreviver. – Explicou mordendo o pulso e colocando na boca da feiticeira.
Ela sorveu o líquido grosso e viscoso, era um gosto repulsivo, sabia que ela estava certa, apenas o sangue dela poderia fazer seu corpo se regenerar.
- Durma agora, quando acordar se sentirá melhor. – disse beijando-lhe a face.
Todo seu corpo adormeceu. Uma dor profunda parecia rasgar seu coração ao meio, depois fazendo-o acelerar, teve a impressão de que ele não fosse agüentar e explodisse, sabia como era a transformação e tentou se controlar. Ela respirou profundamente e novamente dormiu.
Margot Soussie com um pedaço de pano úmido ia tirando as peles mortas, enquanto a nova pele crescia no lugar.
Ela abriu os olhos sobressaltada, sentando-se na cama. Encheu os pulmões com ar, sentindo que seu corpo todo voltava a funcionar, mas em um ritmo acelerado, estava dividida entre a felicidade de estar viva e a fome incontrolável.
Margot sorriu majestosamente para ela. Mordeu novamente o pulso que já havia cicatrizado dando-lhe novamente para que ela tomasse de seu sangue. Em um gesto instintivo ela segurou o braço nos seus lábios saciando aquela sede e a fome que a dominavam. Era como se o sangue da salvadora tivesse vida em sua boca, e seu sangue parecia correr mais grosso e mais vivo em suas veias, em seu coração que disparava como o som de tambores em uma noite enluarada. Estava completamente sentindo o êxtase daquele momento.
Ela deixou o máximo que foi possível e depois delicadamente puxou o braço fazendo-a deitar novamente.
- Já é o suficiente, agora descanse. Depois levarei você para caçar e poderá beber mais, por enquanto, apenas tem que ficar forte para que consiga sair do estado em que estava. Sua aparência angelical já está de volta. – Ela sorriu olhando para ela que olhava agradecida.
- As queimaduras? – Perguntou sem coragem de se olhar.
- Foram embora como sua antiga vida.
- Você me transformou? – perguntou confusa.
- Era o único jeito de salvá-la.
- Obrigada. Eu acho. – Sorriu fechando os olhos.
- Não me agradeça Virgínia, não foi um ato de bondade, acredite. Sei que aqueles que salvam uma bruxa como você da morte tem um vínculo que durará pela eternidade. De hoje em diante você usará seus poderes para mim quando forem necessários e cuidará de mim através do seu contato com o mundo dos mortos.
Virgínia abriu os olhos novamente olhando para aquela figura diáfana ao seu lado e ao mesmo tempo cruel como sempre fora. Ela era um misto de mulher, anjo, demônio e moleque, tudo ao mesmo tempo. Um leve sorriso de satisfação brotou dos lábios vermelhos de Margot.
Virgínia ouviu o crepitar das chamas da lareira atrás do balcão despertando-a daquelas memórias perdidas no tempo da sua alma.
Olhou para o copo de absinto e pensou em tudo que acontecera em sua vida por tantos séculos vividos. O que Margot esperava foi bem diferente do que aconteceu. O vínculo que ligava as duas tornou-se inquebrável. As duas passaram a se cuidar mutuamente, como mãe e filha alternando-se as figuras devido as situações. Alguns dos poderes sobrenaturais de Virgínia cederam lugar a sua condição de imortal, sua velocidade, sua força. Outros se tornaram mais poderosos do que antes.
- Virgínia, temos que ir. – Ray colocou a mão sobre os ombros dela.
Olhou para trás e viu Ray, a nefilim*. Sua querida Margot a esperava no fundo do bar, junto com os outros do instituto.

*Nefilim – filha de um anjo com uma humana.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

RAINHA DA CHUVA

Para Bru...
Minha amiguinha vampira...

Os trovões e a chuva molham tudo.
A noite está úmida, sombria e todos tentam se abrigar.
Um vulto está caminhando tranquilamente
com sua capa de chuva preta.
Tantas ruas, tantos carros apressados.
Mas ela caminha lentamente.
Não se afeta, não se preocupa.
Apenas existem ela e a chuva.
Talvez eu já a tenha visto alguma outra vez.
Ela só tenta esquecer as coisas ruins da vida.
Esperando por um novo dia de sol.
Sabe que na sua casa há uma cama vazia.
O silêncio é dilacerante.
Seus olhos não podem ser mais tristes.
Esse é o tempo de buscar aquilo que pode levar a dor embora.
A chuva leva essa dor por alguns momentos.
Não se podem vencer todos os jogos.
Os pingos estão frios, mas a temperatura de seu corpo é a mesma
Eles até a acalentam.
O céu cinza a faz sentir-se voando para longe.
O caminho para onde vai é incerto.
Nenhum lugar é suficiente para fugir de si mesma.
O vermelho vai se espalhando.
Tentando colorir o chão por onde passa.
Mas sua alma é cinza, da cor do céu que a abraça.
Sonhando com o fim da escuridão.
De um momento de paz e salvação.
A rainha da chuva.
Já tentou matar esse animal selvagem que habita em sua alma.
Mas as tentativas foram em vão.
Já amou uma vez
Mas ele se foi.
Ama agora mas seu amor está muito longe de onde suas mãos
podem alcançar.
Os dias ficaram cinza desde então.
Seu coração só encontra paz sob a chuva.
Ou quando saboreia o licor da vida.
Gostaria de uma nova chance e voltar a se sentir viva
O sol batendo em seu corpo frio.
Apenas sonhos.
A realidade é outra.
É uma eterna caçada.
Até quando seguir?
Não há lágrimas para cair.
Apenas a melancolia.
Ah rainha da chuva!
Feche os olhos e volte a sonhar.
Não desista de encontrar o caminho.
Os trovões soam como música aos seus ouvidos.
Os relâmpagos são apenas fogos de artifício.
É tudo sua festa silenciosa.
Para a rainha da chuva.

domingo, 22 de agosto de 2010

MINHA CONDENAÇÃO

Esse post de hoje é para quem acredita em anjos ou não. Para quem algumas vezes se vê desiludido e não imagina o quanto é importante.

Espero que gostem, é um pouco comprido, mas vale a pena.


Minha condenação

Mônica Lopes

Perceber que o mundo era diferente do que eu pensava, isso eu já tinha percebido e nos muitos momentos de solidão eu percebi também que tudo é capaz de passar, assim como as dores, assim como as felicidades, assim como os amores.
Acredito que é desnecessário dizer que com o sofrimento se cresce, deve ser por isso que os grandes homens geralmente tiveram grandes catástrofes em suas vidas.
Olhando para a janela e vendo o dia chuvoso e frio lá fora, cinza como a cortina de fumaça que habitava minha alma naqueles dias solitários, eu me deparava com a imagem de mim mesma refletida no vidro da janela. Aquela forma humana decadente e triste seria eu? Olhos inchados e vermelhos, como um zumbi sem rumo. Será que uma prece seria o suficiente para afastar meus medos e as minhas inseguranças? E se para esse medo de mim mesma não pudesse haver cura. Quem poderia me proteger de mim mesma? Eu seria meu próprio algoz? Meu júri, meu juiz e meu executor? Que pecados tão abomináveis teria eu cometido para me julgar assim tão cruel e sem perdão? Por que me julgava insistentemente sem ter qualquer motivação para dar-me a própria absolvição?
Não precisava da liberdade do corpo, apenas a liberdade da alma, apenas uma razão para acreditar que talvez eu tivesse uma chance, apenas uma para modificar aquilo que não poderia ser modificado. Apenas uma chance para poder arrancar de dentro de mim aquilo que já não me pertencia mais. A autorização para simplesmente destruir o que incomodava o que fazia mal, o que se enraizou e fez com que tudo se transformasse em dor, em solidão, em sofrimento.
Automaticamente tentando encontrar saídas para uma estrada de mão única, será que as jornadas seriam tão curtas assim? Tanta espera por alguma coisa realmente interessante na minha vida, mas jamais acontecera ou chegaria a acontecer. Será que viver seria simplesmente um ato breve de inspirar e expirar?
Algumas pessoas eram destinadas, uma série de explicações lógicas para o fato de que algumas eram merecedoras de vidas importantes, cheias de aventuras e histórias para contar para seus próprios filhos, depois netos. Uma vida interessante, capaz de fazer das menores insanidades, as mais divertidas aventuras. Possível mesmo seria que alguém acordasse de manhã e não pensasse em dormir novamente, porque assim era eu, acordando de manhã já esperando pela noite para dormir novamente.
Por quê?
Porque dormir era a minha maior aventura, o momento em que me encontraria livre de tudo o que fazia mal. Eu simplesmente vivendo, aventuras, romances, diversas vidas, diversas épocas. Uma coleção de fatos altamente atraentes. Fuga da realidade? Talvez sim, porque a realidade sempre fora um vidro fumê, sem qualquer atrativo.
O silêncio era tanto que eu podia ouvir o som das minhas lágrimas caindo sobre o papel no chão. Fotos, recordações, bilhetes, onde estariam as pessoas do meu passado? Lembrariam de mim? Ou apenas em suas vidas fui um simples ponto de um i?
Olhei novamente para o punhal no chão à minha frente, escolhido cuidadosamente, não poderia haver falhas, aquele era um bom dia para dormir profundamente, viver no mundo dos sonhos por toda a eternidade, sem dor, sem solidão, apenas vivendo no mundo colorido e divertido da imaginação. A dona da loja nem imaginara o que acabara de fazer ao mostrar-me aquele punhal dourado com duas pedras vermelhas, imitando dois olhos de rubi, era perfeita, altamente afiada e pontiaguda, seriam apenas dois cortes, apenas dois e a libertação.
Testei-o cortando um pedaço de papel, sim, ele era o escolhido, assim como o dia. Ninguém sentiria muito a minha falta mesmo. Minha mãe, com certeza, teria uma crise de loucura, mas isso duraria apenas algum tempo, depois acabaria se conformando, meu pai também, o restante das pessoas que me conhecia, iriam ao velório, falariam de mim, ou talvez apenas exclamassem algumas poucas palavras de fingida comoção, depois iriam embora viver suas vidas e em menos de uma semana, eu apenas existiria por uma inscrição em uma lápide fria e sem graça, assim como fora minha vida.
Peguei o punhal cuidadosamente, como uma grande relíquia, estava preparado, juntamente com a bacia de água, assim não haveria tanta sujeira, não queria uma cena macabra, nem aterrorizante, queria apenas dormir. A camisola também escolhida, branca, assim ficaria com um rosto mais angelical, ou talvez porque eu havia sempre guardado aquela camisola de renda e cetim branca para uma noite especial que nunca chegara, aquele era o momento especial, o momento de dormir para sempre.
Ouço a chuva recomeçar forte lá fora, um arrepio percorre a minha espinha, seria o céu chorando pelo meu ato? Seria um aviso de que eu iria direto para o inferno como sempre pregara a igreja? Pouco me importava, o inferno pelo menos deveria ser mais divertido do que a minha vida, qualquer coisa seria melhor do que viver como um simples vegetal. As velas acesas à minha volta de repente dançavam como se um vento as acariciasse, como se o barulho da chuva fosse uma doce música que as fazia dançar como bailarinas. O cheiro da parafina queimada enchia os meus pulmões, enquanto eu esperava o momento exato para praticar o último ato de uma vida.
- Sabe qual é seu maior problema? – Ouvi uma voz desconhecida masculina falando no quarto, meu coração disparou, quem poderia ter entrado no meu quarto? Não havia barulho, tinha a certeza que a porta da sala estava trancada. Eu não tinha coragem de me mexer, estava apavorada. Não esperava que alguém estivesse ali comigo, principalmente alguém que eu não conhecia.
- O que foi, está com medo? De quê? Para quem está prestes a cometer esse ato que você está, o medo não deve fazer parte. – A voz falou novamente.
Fechei os olhos, como se isso pudesse me proteger. Um gesto inconsciente de proteção, assim como fazemos quando crianças que fechamos os olhos e achamos que estamos bem escondidos e que nossos pais não irão nos encontrar.
- Quem é você? – Perguntei, quase que em sussurro. As palavras saiam com dificuldade.
- Isso importa? – Ele perguntou com a voz suave, mantendo sempre o mesmo tom.
- Importa.
- Sabe qual é seu maior problema? – Repetiu a primeira pergunta novamente.
- Quem é você? – Perguntei novamente, agora com um pouco mais de força, se ele quisesse fazer alguma coisa ruim, já teria feito. Abri os olhos, mas sem coragem de olhar para trás.
- Seu maior problema é ter tanta pena de si mesma que fica cega diante das bênçãos que acontecem a você.
- Quem é você para entrar na minha casa e vir falando de mim? – Falei olhando para trás, olhando pelo quarto, mas não havia ninguém, isso me apavorou, principalmente quando as velas novamente mexeram todas para o mesmo lado, uma brisa que vinha de lugar algum passou, e juntamente com as velas meus cabelos balançaram. Olhei diretamente para a janela, ela estava fechada. Segurei o punhal com força na minha mão. O que antes serviria para por fim à minha vida, agora seria minha arma de proteção.
- Por que não faz o que quer fazer? Eu vou assistir e ver o quanto é covarde. Achei que você fosse mais forte.
- Eu não quero testemunhas, além disso, você é apenas a minha imaginação, não passa da minha consciência pregando peças, os conceitos incluídos em minha mente por uma sociedade e por uma religião hipócrita. Eu não acredito mais em nada a não ser em mim mesma.
- Não parece. Sabe o que eu penso? Que tem tanto medo da sua potencialidade que acha que fugindo não será cobrada, mas está enganada, desistindo da luta, será apenas uma desertora e desertores não são bem vistos, sabe por quê? Porque são covardes.
- Eu não sou covarde. Se eu fosse, eu não teria coragem de me matar.
- Morrer é fácil, difícil é viver.
- Você quem diz, eu sei o que é viver assim, como um vegetal.
- Vegetal? – Senti que ele sorriu. – Você não é um vegetal. Você é perfeita, tem saúde, é até bonita, é inteligente. Apenas tem pena de si mesma, o que a deixa sem qualquer motivação para viver. O mundo está lá fora, você é quem se tranca dentro de você mesma. Você tem as respostas, ainda não aprendeu a fazer as perguntas, esse é o problema.
Pensei por alguns instantes sobre o que ele disse. Ele teria razão? Eu estava perdendo realmente a razão, estava conversando com alguém que não existia.
- Você me fala de coragem, então porque não se mostra? Quem é você e porque está aqui? – Perguntei em tom desafiador.
A voz ficou muda por alguns instantes, mas eu podia ouvir sua respiração. As velas novamente dançaram, e dessa vez, eu já não tinha mais medo.
- Estou aqui por você. – Respondeu, mantendo sempre um tom macio na voz.
- Por mim? Eu não chamei ninguém.
- Não mesmo?
- Não.
- Deixe que eu veja você, se isso for uma brincadeira, deixe-me fazer o que estou pronta para fazer.
- Ainda quer fazer?
- Quero. – Falei, mas a minha voz, não saiu tão forte quanto eu esperava, estava vacilante. E não havia mais tanta convicção.
- Então ainda se julga uma coitadinha? Pobrezinha, ninguém a ama, não tem amigos, não tem motivação. Que vida cruel! – Zombou, mesmo mantendo o mesmo tom calmo na voz.
- Isso mesmo, eu sou um zero a esquerda.
- Você já pensou em amar as pessoas primeiro? Já pensou em ajudar as pessoas primeiro antes de querer ajuda? Quantas pessoas estão por aí precisando de um abraço, de uma mão amiga, quantas pessoas precisam de um pedaço de pão, não o pão material, mas o pão do amor. O quanto você pode fazer pelos outros ao invés de ficar aí vegetando. Você tem duas mãos, duas pernas, quantos não dariam tudo para poder andar, para poder abraçar alguém! Quantos dariam qualquer coisa para poder enxergar apenas de um olho, ou mesmo poder enxergar só um pouquinho a luz. Quantos sonham em poder falar uma palavra, ou mesmo ouvir o barulho de uma chuva, o som de um sorriso. Você me fala de vegetar, mas quantos estão nos leitos dos hospitais imóveis em coma querendo que seus corpos reajam para voltar a viver, ou mesmo que estão acordados, mas por algum motivo seus corpos não atendem e vivem dependendo das outras pessoas para tudo, porque a única coisa que podem fazer é fechar e abrir os olhos.
- Mas devem ter feito alguma coisa para Deus os punir. – Falei sentindo meu coração doer pelo que ele havia falado, eu não havia pensado nisso. Senti vergonha do que eu acabara de dizer.
- Deus não pune os homens, eles mesmos se punem, ou se escondem atrás de erros como o que você quer cometer. A vida é uma dádiva, um presente, uma chance de fazer as coisas darem certo. Quantos não têm essa chance? Quantos são abortados antes de nascer, antes de poder conhecer o nascer do sol, antes de poder ver as estrelas. Você quer estragar tudo assim, com um punhal? Quantos milhões de células trabalharam duramente para que você tivesse seu corpo, o quanto sua mãe sofreu para traze-la ao mundo, quanto tempo Deus gastou providenciando seu desenvolvimento espiritual depois carnal, para que você pudesse vir ao mundo? Quantas pessoas perderam o sono para trabalhar em um hospital quando nasceu, quando esteve doente? Quantas professoras deixaram os filhos doentes em casa para cuidar de você na escola? Acha que tudo isso seria em vão? Acha que tudo isso seria simplesmente para você poder chegar nesse dia e dizer : “ Não quero mais viver, essa vida é uma droga, hoje é um bom dia para por fim nela.” A vida não é um livro que se fecha a hora que quer e se põe de volta na estante.
As palavras dele entravam no meu coração como punhaladas, eu sentia o sangue ferver de vergonha de mim mesma, de indignação, de tristeza. Ele estava completamente certo e eu errada.
- Quem é você? Por que não aparece na minha frente? Por que não mostra seu rosto? Você me fala de coragem, mas não tem coragem de aparecer para mim. – Falei, alguma coisa tinha que ser dita, eu não tinha argumentos para tudo aquilo que ele havia dito.
- Não importa meu rosto, não importa meu nome, o que importa é o que eu vim dizer.
- Está errado, se tem algo para dizer, então diga olhando nos meus olhos.
- Você pode não gostar do que vai ver, melhor deixarmos como está, você me ouve.
- Você está brincando comigo?
- Eu não brinco, principalmente em serviço.
- Então está a serviço?
- Sim, estou.
- Então trabalha para alguém. – Falei levantando, tentando ver onde ele estava, com o punhal na mão, minha garantia de vida, ou de morte.
- Trabalho. Não tente fugir do foco da nossa conversa.
- Eu não converso com estranhos, principalmente estranhos que se escondem, não mostram o rosto.
- Que diferença faz o meu rosto?
- Como saberei se é um anjo ou o demônio?
- Não saberia pelo meu rosto, porque sendo um ou sendo outro, eu poderia me moldar da forma que eu quisesse.
- Boa resposta.
- Quer saber como saberia se sou do bem ou do mal?
- Quero.
- Analise as palavras que eu disse. Se eu fosse do mal, estaria em silêncio apenas esperando que você terminasse seu ato.
- Isso então deixa você na primeira categoria citada.
- Pode até ser.
- Então você trabalha para Deus?
- Sim.
- Ele existe mesmo? – Perguntei mais por provocação do que por duvida.
- Sim e ele acredita em você, tanto que me mandou aqui.
- Para evitar que eu me mate? Quanta honra a minha. Quer dizer que ele prefere que eu fique viva?
- Sim.
- Legal, então seu recado está dado, pode ir embora.
- Eu não vou embora.
- Vai sim, eu não chamei você, não convidei você pra entrar, então fora.
- Eu não sou um vampiro que precisa ser convidado para entrar na casa das pessoas.
- Se não aparecer na minha frente agora, eu é quem saio daqui e te garanto que não será pela porta, ou seja, você irá falhar na sua missão.
- Tudo bem, se quer assim...
As velas se apagaram, apenas a luz dos relâmpagos lá fora iluminavam meu cenário macabro.
Ele apareceu na minha frente, cabelos escuros arrumados jogados para trás, uma roupa azul clara, camisa e calça social.
- Não é tão mal quanto esperava. – Falei sentindo simpatia de imediato, mas ainda de arma em punho.
Ele deu um leve sorriso.
- Como pode ser tão cruel consigo mesma? Dê uma chance a você. – Falou e seus olhos pareciam brilhar no escuro.
- Eu devo ser realmente maluca a acreditar que Deus tenha mandado você por mim. Eu não mereço... – Falei sentindo um nó na garganta, como se fosse chorar a qualquer momento.
- Não precisa chorar, não sou nada demais, apenas quero que compreenda a mensagem sua vida é preciosa e há muito em seu caminho para ser feito. Você jamais será um simples vegetal, apenas deve deixar que o mundo chegue até você e você chegue até ele.
- Simples assim. – Falei indignada comigo mesma.
- Nada é simples. – Ele respondeu compreensivo.
- Eu sei... – Comecei a chorar, aquilo era um erro, tudo era um erro. Porque eu tinha que repetir os erros tantas vezes?
- Chore o quanto quiser, isso limpará sua alma e dará forças para você recomeçar. Quando a chuva passar um mundo novo estará à sua espera do lado de fora da janela. Basta que saiba ver e ouvir o que se preparou para você.
- Não sei se irei conseguir, mas prometo tentar. – Falei baixando os olhos, quando olhei novamente ele não estava mais lá.
- Você é muito mais especial do que julga ser. Lembre-se sempre que o mundo espera por você.
Senti uma mão acariciar meus cabelos, mas não havia ninguém ali.
- Pelo menos me diga seu nome antes de ir. Assim saberei quem me salvou.
- O meu nome não importa, me chame do jeito que preferir.
- Eu verei você novamente?
- Eu sempre estive e sempre estarei ao seu lado.
- Mesmo?
- Mesmo, algumas vezes você vai esquecer de mim, mas eu sempre estarei aqui por você.
- Obrigada. – Agradeci pensando em uma prece.
Uma sensação gostosa se apoderou de mim como se grandes asas me guardassem, uma suave brisa passou no meu rosto, como um beijo.
A tempestade parou e eu ainda tinha meus olhos fechados, sentindo-me reconfortada nas asas de um anjo.
E tudo se transformou.
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Todos nós temos anjos cuidando o tempo todo de nós, basta estarmos atentos aquilo que ele tem a nos dizer.
Beijos e boa semana!

sábado, 10 de julho de 2010

DIA MUNDIAL DA PIZZA

Hoje é dia mundial da pizza, e como eu não poderia ficar de fora, pois sou adepta aos que amam o prazer de se deliciar com esse alimento tão bem inventado, tenho que pelo menos felicitar a querida pizza.
Afinal quem corre como nós nos dias de hoje, nada como um prato que possamos simplesmente preparar rapidamente. Claro que estou falando das que já compramos prontas, e só usamos em extremo caso. O mais divertido e delicioso mesmo é escolher uma boa pizzaria e mandar ver.
Eu escolhi as minhas preferidas para o jantar de hoje aqui em casa. Frango com catupiri e banana que eu amo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Anjos Especiais

Hoje quero dedicar o meu conto à minha amiga angelical Liesel, um anjo na Terra. Essa ilustração é como eu a vejo quando a encontro.
Nossos encontro são mágicos e ela tem sim essa luz em suas mãos, o poder de curar, o poder de fazer a gente ver aquilo que não consegue.