quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sombras



Ela nunca encontrou o caminho certo
Meias calças rasgadas, uma camiseta branca escrito algo blasfemador.
Tudo é tão doloroso.
Vivendo nas sombras das ruas.
Sem alguma esperança.
Enquanto tem seus pesadelos.
Achando que está dormindo.
Algumas vezes ela finge estar viva e sentir o ar.
Outras finge que ama alguém de verdade para saber como é
Sentir o coração bater pelo menos uma vez.
Vivendo nas sombras sem alguma esperança
Sem conseguir simplesmente dormir.
A única chance é fugir de si mesma.
Ninguém entende, ninguém compreende seu olhar triste e sofredor.
Acham sua vida boa, enquanto ela desmorona nas sombras.
Um sonho ruim, uma alma sombria, dor e desespero.
Escondidos por um sorriso quebrado.
Ninguém para prestar atenção que ela sente falta de algo.
Todo mundo ocupado demais em apenas sugá-la até a última gota.

domingo, 9 de outubro de 2011

O Girassol e o Canário



O Girassol e o Canário

Por: Monica Blue (inspirada por Alberto)


Eu não acreditei quando a conheci, banhada pelos raios do sol, pétalas amarelas brilhantes, grandes, coloridas, eu um simples passarinho, mal pude me conter em me aproximar, sentir o odor daquela bela e diferente flor. Sua pecularidade era intensa, para o lado que o sol ia, ela se movia ficando virada para ele. Ela era assim, atraída completamente pela luz. Ainda observando-a momento a momento percebi que na ausência da luz do sol, ela simplesmente se entristecia, e toda sua radiação de luz e alegria minguava, a noite era dolorosa para ela, chorava copiosamente, por que esperava ansiosamente seu novo encontro com o sol, o novo amanhecer. Só que em alguns dias, as nuvens de chuva encobriam os raios vitalizantes, deixando-a novamente triste e deprimida. Eu tentava dizer a ela, que logo o sol brilharia novamente e ela teria sua luz de volta. Mas, infelizmente ela não compreendia a linguagem dos pássaros e meu bater de asas nada mais era do que a tentativa de alegrar aquele pobre coração. Eu estava ali, eu era um pássaro dourado, sim, também filho da luz, do sol, do amor. Porém, ela estava cega. Não enxergava nada além do que a grande bola de fogo que brilhava radiosa no céu. Pobre e bela girassol, ninguém havia explicado que os dias se dividiam em noites e dias, e que ela deveria ser forte durante o dia, porém mais forte ainda durante a noite. Enquanto ela sonolenta adormecia desiludida e chorosa sentindo falta do seu amado sol, eu cantava para ela, músicas de amor, dizia palavras edificantes, fortificantes, mostrava para ela todo meu amor, minha adoração por ela. Poucas vezes ela ouvia, e eu podia até perceber um leve brilho em seu triste olhar e um doce sorriso brotar de seus lábios. Eram poucos estantes, pois logo a apatia voltava, dando lugar a tristeza e solidão. Como eu podia dizer para ela que nunca estava só? Como explicar que eu sempre estava ali presente, em seus momentos de felicidade e seus momentos de aflição? Por muitas vezes invejei o sol por fazê-la feliz por instantes, fazê-la suspirar, ter esperanças. Outras tantas quis ser simplesmente a chuva, para poder molhar com meus pingos de lágrimas suas pétalas macias e delicadas, e diversas vezes eu quis simplesmente que ela sentisse a minha presença e jamais desistisse de acreditar que o sol brilharia todos os dias, e que mesmo que a noite fosse triste e escura, logo o amanhecer chegaria.
Mas, eu, um simples canário não tinha como fazer nada disso, a não ser amá-la intensamente e esperar que um dia pudesse ser notado por ela, amado por ela, desejado por ela, assim como o sol.
Porém, em uma manhã fria, singela, ela, Girassol deixou de olhar para o sol e percebeu o lindo pássaro amarelo brilhante ao lado dela, era eu. E de alguma forma eu permaneci atencioso e observador. Repentinamente ela começou a recordar-se de toda sua vida e a presença daquele pássaro amarelo em seus dias, em suas noites. Embora não tivesse prestado muita atenção ele jamais a abandonara. Nem um instante sequer. Pela primeira vez ela me vira, como eu era, como eu desejei ser visto por ela por toda a vida.
Ela então me questionou porque eu permanecia ali o tempo todo, observando-a, cantando para ela, conversando com ela, se ela mesma nem percebia a minha presença.
Com todo meu carinho e amor que sentia por ela eu sorri e expliquei que eu não precisava tocá-la para amar, não precisava ser visto para me sentir amado, não precisava de atenção para sentir-me feliz, precisava apenas estar próximo a ela, auxiliá-la nos momentos difíceis, cantar para ela adormecer, conversar para ela não se sentir só. Só que agora eu expliquei que meu tempo havia terminado e logo teria que ir embora de vez deixando-a solitária novamente, isso me angustiava e a minha tristeza profunda fizera com que ela compreendesse tudo.
Girassol sentiu seu pobre coração ferido, perdera toda a existência sendo tão amada e não percebera em nenhum minuto o quanto era querida. Passou todo o tempo apenas admirando algo impossível de se alcançar, ele tão amável e fiel permaneceu em todos os instantes de sua vida, e agora olhava para ele e percebia que o seu verdadeiro sol não era aquele que brilhava onipotente no céu, iluminando tudo com seus raios, mas aquele simples pássaro amarelo que cuidava atentamente dela e sem jamais cobrar nada, nem mesmo um sorriso ou um olhar, manteve-se presente e amável. Cuidadoso e observador. Eu conseguia compreender seus sentimentos e ouvir seus pensamentos então apenas limitei-me a sorrir para a flor, explicando-lhe que existiam muitas existências e que nesta ela aprendeu que nem sempre aquilo que buscamos está longe, muitas vezes está tão próximo que nem conseguimos enxergar, mas chegaria um dia, uma hora, uma oportunidade em que nós poderíamos vir de forma em que poderíamos viver um grande amor, e então eu seria o sol para ela e ela seria meu tudo como sempre fora desde a existência dos dias.
E assim eu não contendo as lágrimas nos olhos me despedi da minha amada Girassol e saí batendo as minhas asas voando rumo ao meu destino inadiável, ao encontro com o fim dos meus dias de pássaro. Enquanto Girassol sentiu uma lágrima escorrer em seu rosto triste, fora tão amada, porém jamais percebera isso. Agora sim, sentia-se só, tão só que nem mais olhava para o sol, não se importava mais se era dia ou noite, apenas esperava o dia em que murcharia e seus dias teriam fim.
Ela finalmente compreendeu que o amor pode estar simplesmente ao seu lado e a oportunidade de ser feliz é desperdiçada por ilusões inacessíveis.

sábado, 8 de outubro de 2011

Apenas saudade



Por: Monica Blue






Que saudade, que dor no peito, vontade de te abraçar, de olhar dentro dos seus olhos e conseguir por um instante esquecer a tristeza que refletem os meus. O sorriso não fingido nem forçado, apenas o sorriso de felicidade eterna. A espera é longa e dolorosa, espero que cada gota de lágrima seja um minuto a menos para o nosso reencontro.
Acordei assim, sentindo tanta a ausência de mim mesma, a ausência que você me faz, minha metade, meu amor, meu luar. É tudo só saudade sem você.
O universo que nos separa é cruel? Por que eu descobri o que é ser só, o como ser solitária no meio de uma multidão de rostos felizes, outros tristes e alguns zangados.
Eu minto, eu finjo, eu faço de conta que vivo feliz, como a Alice no País das Maravilhas, mas no meu íntimo, ou para aqueles que acham que me conhecem, o brilho no meu olhar não são de alegria, são de lágrimas e desespero, de angústia presa no peito.
Antes era a procura desenfreada, agora é a espera dilacerante. Se estive junto a você no sonho não consigo me lembrar. Isso acaba comigo. Só sinto a falta. Lágrimas salgadas, correntes amarradas, continuo na minha prisão, tentando pagar os meus erros e um dia ter um momento único de felicidade ao seu lado, um momento em que finalmente nossos olhos voltarão a se cruzar e eu não serei mais tão infeliz e nem tão solitária, porque tudo será colorido, arco-íris e borboletas. Dois corações unidos em um só. A realização do maior de todos os sonhos. Quando nossas almas se fundirão em uma só.

Perto e tão longe...................................