segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Salvação


Por: Monica Lopes

Fácil vem, fácil vai
Como um beijo de verão
Onde ficou o amor?
E apenas uma granada?
Que destrói tudo por onde passa?
Trevas, olhos, medo
Quem me salvará dessa trágica situação?
Eu espero por você
Meu herói particular
Espero em meus pesadelos
Nas noites sombrias e solitárias
Cadê você pra me tirar daqui
Eu espero fechando meus olhos
Esperando que você chegue logo
E jogue sua granada e exploda tudo de uma vez
Assim eu talvez possa morrer e viver em sua companhia.
Você sabe quando eu quero desistir
Mas tudo começa de novo
Será que haverá uma salvação pra mim
Que não seja longa demais
Ou meu lugar é aqui mesmo no tormento?
Em algum lugar deve haver paz e sossego.
Roupas pretas dando lugar as brancas.
Eu não agüento mais viver assim
Acreditando no que me diz e nada mudando
Eu me sinto uma estranha em um mundo perdido sem lei.
Salve-ve  me antes que eu me perca.
Antes que seja tarde demais pra resistir.
Espere por mim e me leve daqui.
Perdoe-me por ser eu.
Só você pode me tirar dessa lama.
Venha logo antes que não sobre mais nada de mim.
Sei que é longe, mas não pra você.ê.

Nada


Por: Monica Lopes
Nada será como era quando estávamos juntos
Agora tudo morreu
O que sobrou foi uma pintura desgastada
E uma sinfonia
Tanta tristeza e tanta dor
E ainda pensou que podíamos ser amigos
O que sobrou é menos do que nada
Você foi apenas alguém que eu conheci
Tantos planos para o lixo
Eu não vou viver lamentando o que você preferiu
Pra mim agora você é um nada
Alguém que conheci em alguma esquina.
Apenas um alguém nada mais que isso.
A sombra de algo que se foi.
Um erro de cálculo quando achamos
Que seríamos felizes para sempre
Que eu morreria por você.
Agora tudo acabou
Até mesmo a tristeza do fim.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Criança


Por Monica Lopes


Houve um tempo em que eu era criança, e naqueles dias de criança, em que a gente ficava de short e camiseta de malha de algodão – às vezes de calcinha mesmo – tomávamos banho às quatro, cinco da tarde, e curtíamos o anoitecer. Brincávamos na calçada de casa ou na de vizinhos que, colocavam suas cadeiras do lado de fora para aproveitar melhor a fresca, como se dizia. Todos os pais dos amigos eram confiáveis, brincávamos sem qualquer preocupação. Como era um tempo bom, o cheiro da noite, das árvores com damas da noite exalando aquele odor inebriante, a lua acesa no céu iluminando a rua, as estrelas sorridentes e as pessoas gargalhando e com um assunto corriqueiro, enquanto ainda aproveitávamos aquele tempinho antes de entrarmos para dormir e esperar o novo dia.
Hoje tão diferente, os filhos não conhecem os filhos dos vizinhos, as amizades de escola se mantém só dentro dos muros de lá. Não confiamos mais no próximo como antes, vivemos uma total insegurança. Vemos a todo momento histórias de abusos, assassinatos e maldades com crianças, vitimas silenciosas e inocentes, como aquelas crianças que já fomos um dia.
Babás hoje em dia são televisões, vídeo games e computadores. Até colocarmos alguém para cuidar de nossos filhos é perigoso, batem, maltratam e acabamos reféns de pessoas que deviam amar crianças, mas só se preocupam com o dinheiro que será pago no final do mês.
Preferia o mundo de pique esconde, pique pega, amarelinha e salva bandeira. Preferia o mundo de faz de conta, de casinha, de sonhos e esperanças. Preferia um mundo em que os adultos cuidavam e amavam as crianças e não as via como presas parar suas doenças. E se aparecesse alguém que se comportava de forma inadequada os próprios vizinhos tomavam atitude, fazendo com que essa pessoa saísse da comunidade.
Mundo de sonho, um mundo que queria apresentar para os meus filhos. Deixei de trabalhar fora, passei a cuidar deles, só sair no período que estão na escola, ou depender da casa das avós para deixá-los em segurança enquanto trabalho. Eles não sabem o que é brincar na rua, ter amigos vizinhos. Deus me deu o segundo filho para fazer companhia ao primeiro e juntos são os melhores amigos. Dependem da amizade dos primos e primas para terem outras crianças para brincar. Os muros altos e portões eletrônicos os separam das outras crianças da rua. Que pena! Sinto que somos reféns de uma luta difícil de acabar. Onde a violência e a falta de amor ao próximo é o nosso inimigo que mora ao lado.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Apenas

                              Sou apenas uma nuvem branca em um céu tempestuoso...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A prova de balas

Por: Monica Lopes

Tantos corações partidos
eu apenas não consigo compreender.
Deve ser por que nos entregamos demais
a este amor.

Tantas vezes que caio.
Nem sei contar.
Sei que tenho que levantar a cada queda.
Proteger meu coração de cada tiro.

Você está tão longe de mim.
Que chega a me rasgar por dentro.
Essa dor insana que destrói tudo.
Tive que aprender a ser a prova de balas.

Eu sou feita de titânio.
Sinto seu olhar gelado sobre mim.
Distante, mas constante.
Apenas não desista ainda.

Você observa em silêncio
esperando que eu aprenda.
A hora certa de voltar.
O momento de abrir seus braços.

Aprendi a ser de titânio.
Totalmente a prova de balas.
De carne, sangue e ossos de titânio.
Apenas tente me compreender.

Somos feitos de materiais diferentes.
tanto a perder.
tanto a aprender.
apenas fecho meus olhos e rezo.

Sei que é uma loucura.
Esperar que você me leve daqui.
Eu continuo caindo e levantando.
No meu próprio mundo.

Vou me arrastando por esse chão.
A prova de balas, mas sangrando por dentro.
Ricocheteia, titânio.
Espero o perdão.

Tivemos tanto sofrimento.
Perto, longe, perto.
Inacreditável.
Tão longe, longe, longe.

Eu sou a prova de balas.
Feita de titânio.